Pegada de Carbono: a importância de calcular para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no dia a dia

Atitudes simples podem minimizar o nosso impacto ambiental

Fazer compras, carregar o smartphone, viajar de avião, andar de carro, ônibus, metrô… você já deve ter ouvido falar sobre a pegada de carbono nossa de cada dia e dos gases do efeito estufa (GEEs) que são emitidos a cada uma dessas atividades. Mas você faz ideia de como calcular a sua pegada? Do inglês carbon footprint, o termo pegada de carbono foi criado para medir as emissões atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) e dos demais GEEs por uma pessoa, família, atividade, evento, empresa ou indústria.

GEEs são substâncias que absorvem parte da radiação infravermelha emitida pelo Sol. Esses gases estão naturalmente presentes na atmosfera terrestre e evitam o escape da radiação para o espaço, fenômeno chamado Efeito Estufa. O processo mantém o planeta aquecido, garantindo a preservação da vida na Terra. Porém, as ações humanas causam uma maior concentração de GEE na atmosfera, o que eleva a média da temperatura do planeta, causando o chamado aquecimento global.

Mudanças climáticas, aumento do nível dos oceanos, redução das geleiras e fenômenos ambientais cada vez mais intensos são algumas das consequências do aquecimento global e estão sendo agravadas pela influência das atividades humanas, segundo o recente relatório lançado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas. As alterações causadas pelo aquecimento global também impactam a economia: a falta de chuvas, por exemplo, é um dos fatores para o aumento nas tarifas de energia.

Os impactos das mudanças climáticas acenderam o alerta vermelho para a preservação da vida na Terra. Recentemente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU apontou que a temperatura do planeta pode chegar ao limite de +1,5º em 2030, dez anos antes do previsto anteriormente. A divulgação motivou a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) a organizar o Congresso Mundial da Natureza, que vai até o dia 11 de setembro de 2021 em Marselha, na França, e reúne governos e organizações para debater estratégias contra a aceleração do aquecimento global.

A emissão de gases de efeito estufa faz parte de etapas da produção de bens e serviços e está presente, também, nas atividades simples do nosso dia a dia: nossas refeições são compostas por alimentos cultivados em processos que emitem GEEs ou nossos deslocamentos também liberam gases de efeito estufa. De acordo com a organização não governamental norte-americana Global Footprint Network, a humanidade consumiu todos os recursos do planeta para o período de um ano no dia 29 de julho de 2021. Ainda, segundo a organização, isso se deve ao aumento de 6,6% da pegada de carbono. Recentemente, o Greenpeace Brasil publicou uma entrevista com o climatologista José Marengo em que o especialista explica a relação entre o aumento na conta de luz e o período de seca no Brasil. Por isso é importante calcular a nossa pegada de carbono: para avaliar quais são as atividades que mais emitem GEEs e como podemos reduzir essas emissões.

Conhecer nossa pegada de carbono é importante para avaliar quais impactos nós causamos na atmosfera da Terra a partir das emissões de GEEs em atividades do rotineiras, como ao fazer compras em um supermercado, por exemplo. Toda atitude humana traz algum impacto para o planeta, por menor que seja, e o modo de vida contemporâneo emite muito mais gases do que a Terra é capaz de absorver – ou seja, estamos exigindo muito de sua capacidade biológica, ou biocapacidade, medida pela eficácia dos ecossistemas do planeta para fornecer matéria orgânica e, ao mesmo tempo, absorver os resíduos gerados pelas atividades humanas.

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o Brasil lançou 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera em 2019 (um aumento de 9,6% nas emissões em relação a 2018), tornando-se o sexto maior emissor mundial de GEEs, com 3,2% do total das emissões globais.

 

Calcular para reduzir

 

Em geral, o cálculo da pegada de carbono considera aspectos relacionados ao tamanho da edificação ou construção (casa, apartamento, instalação industrial, escritório empresarial etc.), estrutura de um evento, número de pessoas (residentes, alocadas, convidadas, participantes), consumo energético, tipo de transporte utilizado, viagens e deslocamentos, consumo, compras e geração de resíduos.

Congestionamentos nas grandes cidades: excesso de automóveis em circulação é uma das causas das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.

Hoje existem calculadoras digitais para medir a pegada de carbono e nossas emissões de GEEs com base nos hábitos individuais, como as disponíveis nos sites da Iniciativa Verde e do Centro de Estudos Rioterra; e as das ONGs SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil. Organizações internacionais como as Nações Unidas e a Global Footprint Network também disponibilizam plataformas online para o cálculo da pegada de carbono.

Para as empresas, é importante mapear quais são as ações de fabricação, transmissão ou consumo de energia que mais liberam GEEs e adotar medidas de ecoeficiência para reduzir, compensar ou zerar as emissões de gases de efeito estufa. Iniciativas como melhoria da eficiência energética, consumo de energia renovável, campanhas de conscientização e investimentos em programas e projetos ambientais colaboram para reduzir a pegada de carbono empresarial e industrial. A Bradesco Seguros segue o Plano Diretor de Ecoeficiência da Organização Bradesco para monitorar dados relativos às emissões diretas e indiretas de GEE e aplicar soluções que reduzam a pegada de carbono da Organização.

 

Algumas atitudes simples podem reduzir a nossa pegada de carbono durante atividades de rotina:

  • Reduza o consumo de carne, produtos industrializados e de fast food.
  • Reduza o consumo de descartáveis para diminuir a geração de resíduos sólidos urbanos, como embalagens, e dê preferência para materiais recicláveis e objetos reutilizáveis.
  • Verifique periodicamente se a sua residência está com vazamentos de água.
  • Consuma mais produtos locais, que não necessitam de grandes deslocamentos para chegar até você.
  • Poupe energia – e troque aparelhos que gastam muita energia por outros mais econômicos.
  • Evite utilizar mangueira para limpar calçadas ou lavar o carro.
  • Junte roupas para lavar e passar.
  • Dê preferência pelo uso de transporte urbano nos deslocamentos – ou, se adequado e seguro, opte por bicicleta ou aparelhos com zero ou baixa emissão de CO2.
  • Plante árvores! Hoje é possível plantar uma árvore apenas com um clique, por meio de projetos dedicados ao reflorestamento para redução do impacto ambiental, como o Coletivo Mão na Terra e o programa “Amigo da Floresta” da ONG Iniciativa Verde.

[lbg_audio5_html5_shoutcast settings_id=’1′]