Inteligência Artificial:
“heroína sem capa” na pandemia

Machine learning e dispositivos inteligentes ajudam a proteger a vida e a acelerar a busca de tratamentos e vacinas para a Covid-19

A pandemia de Covid-19 pegou o mundo todo de surpresa, forçando a aceleração de diversos processos em curso na tecnologia e na Ciência. A telemedicina foi uma das áreas que avançou em virtude do isolamento social que a pandemia impôs. Vacinas contra o vírus foram desenvolvidas em tempo recorde na história e, felizmente, já apresentam bons resultados para evitar o agravamento da Covid-19 em populações imunizadas.

Mas por trás dessas e de muitas outras inovações na batalha contra o novo coronavírus, uma tecnologia tem papel fundamental para “fazer acontecer”: a Inteligência Artificial. Sem ela e sem a utilização do Machine Learning (“aprendizado de máquina”), certamente a corrida contra os efeitos da pandemia seria ainda mais difícil. Aqui, listamos quatro exemplos que mostram como nem todo herói e nem toda heroína usas capas – e a Inteligência Artificial é uma delas.

1. Inteligência artificial aplicada ao monitoramento de casos

Israel foi um dos primeiros países a utilizarem Inteligência Artificial para evitar a segunda onda de Covid-19. Em 2020, uma parceria entre a startup Diagnostic Robotics e o Ministério da Saúde Israelense resultou em um sistema de coleta de dados baseado em questionários respondidos pela população do país, ainda no início da pandemia. As pessoas respondiam a uma série de perguntas pelo smartphone caso apresentassem sintomas da Covid-19. Por meio do tratamento de dados via algoritmos, o sistema alertava o vice-diretor do Ministério da Saúde por e-mail. Assim, o governo israelense identificou a curva crescente de casos sintomáticos no país a tempo de tomar medidas que evitassem o descontrole da pandemia.

2. Inteligência artificial para acompanhamento remoto de infectados

Baptist Health, organização dos EUA sem fins lucrativos para assistência médica, desenvolveu um sistema para que especialistas acompanhem – de forma remota e online – os seus pacientes infectados com a Covid-19. Com a utilização de Machine Learning, o sistema monitora de forma contínua os sinais vitais do paciente, conectado a uma rede de dispositivos. Desta forma, o sistema faz uma análise de parâmetros – como saturação de oxigênio, frequência respiratória e frequência cardíaca – identificando quais pacientes apresentam piora no quadro clínico. A tecnologia de monitoramento inteligente ajuda a evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde, assim como garantir o conforto e mais segurança a pacientes que se recuperam da Covid-19 em casa.

3. Robôs realizando testes de Covid-19

Em janeiro deste ano, foi noticiado o uso de robô para testes de Covid-19 em Shenyang, capital da província de Liaoning, no nordeste da China. A tecnologia consiste em um braço robótico articulado, controlado de forma remota por um operador, por meio de uma câmera instalada no robô e de um monitor para acompanhar o caminho da narina até a garganta do paciente. O sistema também escaneia os documentos dos pacientes para agilizar a identificação no momento dos testes.

A principal vantagem desta tecnologia é reduzir o risco de contágio entre profissionais de saúde. Este vídeo mostra como o robô funciona para a coleta de material nos testes de Covid-19.

4. Inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento de vacinas

O desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 em tempo recorde também foi possível graças à Inteligência Artificial. A análise de dados compartilhados sobre a doença utilizando ferramentas de machine learning ajudou a ciência na corrida para imunizantes eficazes contra o vírus. E a IA segue ajudando a ciência para aprimorar vacinas contra a Covid-19: pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia desenvolveram um método baseado em IA capaz de se adaptar para analisar mutações do novo coronavírus – e, assim, indicar quais as melhores vacinas para combater cada variante. O estudo foi publicado na revista Nature e mostra como o machine learning desenvolvido pelos pesquisadores pode revolucionar os programas de imunização contra o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. Em um teste, o modelo conseguiu apontar por eliminação 95% dos compostos de vacinas contra o vírus e apontou quais eram as melhores opções – tudo isso em questão de minutos.

A Inteligência Artificial também ajudou no desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus.

O método pode ajudar a manter a ciência no desenvolvimento de vacinas ainda mais eficazes.

5. Inteligência Artificial para antecipar novas cepas do novo coronavírus

As variantes do novo coronavírus podem colocar em risco a eficácia das vacinas desenvolvidas para conter a pandemia. A Inteligência Artificial também tem papel fundamental para ajudar a prever o surgimento de novas cepas do vírus e, assim, colaborar para que a ciência aprimore os imunizantes antes que essas variantes se espalhem pelo mundo. Um grupo de pesquisadores da Unicamp, em parceria com a Unesp, USP e Insper lidera um estudo para o desenvolvimento de uma ferramenta baseada em IA que pode prever e informar antecipadamente sobre o surgimento de novas variantes do Sars-CoV-2.

A IA vai utilizar dados de hospitais de Universidades que participam do projeto, dados abertos do SUS e de algumas secretarias de saúde para estruturar as análises da ferramenta: prontuários médicos, estatísticas, evolução dos casos, históricos de pacientes com informações sobre comorbidades, além do georreferenciamento, para identificar a localização estimada de focos da Covid-19. A partir da leitura das bases de dados, a ferramenta poderá detectar antecipadamente a presença de mutações do novo coronavírus.

A Inteligência Artificial é, sem dúvidas, uma grande aliada da Ciência no presente e será fundamental para o mundo pós Covid-19: no futuro, estas aplicações e muitas outras poderão contribuir com outros tratamentos de saúde e no desenvolvimento de vacinas para diversas outras doenças.

[lbg_audio5_html5_shoutcast settings_id=’1′]